O Instituto Penal Djanira Dolores de Oliveira, em Bangu, no Rio de Janeiro, foi palco da final do concurso “Voz da Liberdade”, promovido pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).
O evento, realizado na quinta-feira (28), reuniu 17 finalistas de diferentes unidades prisionais do estado. Entre os competidores estava a ex-deputada Flordelis.

Flordelis, que já foi pastora e cantora gospel, usou sua experiência no palco para competir na edição deste ano. mas não venceu a disputa.

Na final, ela cantou a música “A Volta por Cima”, do Ministério Flordelis. Em um trecho da canção, ela entoa: “Quem impedirá o agir de Deus? Eu vou dar a volta por cima. Ele cumpre o que prometeu, eu vou dar a volta por cima. O que passou, passou, chega de chorar”.

O concurso tem ganhado destaque nos últimos anos por oferecer uma oportunidade única a detentas de diversas unidades prisionais de se apresentarem e mostrarem seus talentos musicais.
Em um formato semelhante ao programa “The Voice”, o evento deste ano contou com a participação de mais de 150 mulheres, incluindo detentas, mulheres trans e até mesmo pessoas com histórico de envolvimento em crimes graves.
O concurso foi dividido em etapas, com as finalistas se apresentando em diferentes categorias, como samba, axé, pop e louvores evangélicos.
,Viver aprisionada é muito ruim. Estou no aguardo do novo júri”, disse ela em entrevista ao jornal Extra.

Vivendo relacionamento com o produtor musical Allan Soares, de 25 anos, Flordelis confidenciou que, quando sair da prisão, vai continuar trabalhando no “resgate de meninos e meninas apadrinhados pelo tráfico de drogas”.Disse ainda que, por ter amnésia, não sabia o que se passava na sua casa.
RELEMBRA O CASO:

A ex-deputada federal Flordelis dos Santos foi condenada a 50 anos e 28 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato do ex-marido, o pastor Anderson do Carmo. O crime ocorreu em junho de 2019, na casa da família, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
O Tribunal do Júri de Niterói considerou a ex-deputada culpada pelo homicídio triplamente qualificado, que recebeu os agravantes de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Anderson foi morto a tiros ao chegar em casa de carro, na noite do dia 16 de junho.
O crime teria sido motivado porque a vítima mantinha rigoroso controle das finanças familiares e administrava os conflitos de forma rígida, não permitindo tratamento privilegiado às pessoas mais próximas da ex-deputada em detrimento de outros membros da família, que somava mais de 50 filhos, entre biológicos, adotivos e afetivos.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apontou Flordelis como a responsável por planejar o homicídio do então marido, convencendo o executor direto e os demais acusados a participarem do crime, pensado para parecer um latrocínio. As investigações indicaram que a ex-deputada financiou a compra da arma usada e avisou sobre a chegada da vítima no local em que foi executado a tiros.
Além do homícidio consumado, Flordelis foi condenada pelas tentativas anteriores de matar o marido, adicionando veneno em sua comida e bebida ao menos seis vezes. Nesse caso, o crime foi homicídio duplamente qualificado.
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