Nesta semana, a BBC revelou a sua lista das 100 Mulheres Mais Inspiradoras e Influentes de 2024, com o tema central resiliência.
A lista revela o impacto que este ano teve sobre as mulheres, celebrando aquelas que por meio de sua resiliência estão lutando por mudanças, seja a nível local ou global.
Entre os nomes de destaque globais deste ano – três brasileiras foram reconhecidas por seu impacto e histórias transformadoras: A ginasta Rebeca Andrade, bióloga Silvana Santos e a ativista Lourdes Barreto.
Todas elas possuem trajetos de sucesso.
REBECA ANDRADE

Com seis medalhas olímpicas, incluindo o ouro no solo nos Jogos de Paris 2024, Rebeca Andrade consolidou-se como a maior medalhista da história olímpica brasileira. Sua trajetória, marcada por lesões graves e desafios financeiros, começou nos arredores de São Paulo, onde sua mãe trabalhava como faxineira para sustentar os treinos da filha.

A vitória sobre a americana Simone Biles foi celebrada mundialmente, e a reverência de Biles e Jordan Chiles no pódio tornou-se um símbolo das Olimpíadas. “Ser resiliente é lidar com as dificuldades e ajudar quem está ao nosso redor a enxergar o lado bom, mesmo nos momentos mais difíceis”, afirmou Rebeca.
SILVANA SANTOS

Descoberta genética que mudou vidas
Silvana Santos é bióloga e doutora em Genética pela Universidade de São Paulo (USP) e é docente da UEPB desde 2008. Ela conta que descobriu, por acaso, na rua onde morava, uma família com uma rara doença genética, Síndrome Spoan.
Desde então, vem trabalhando em áreas remotas e pobres do Nordeste do Brasil para compreender a tradição dos casamentos consanguíneos e investigar as doenças genéticas que afetam essa população.
Isso deu origem à pesquisa que a levou a identificar a Síndrome de Spoan (acrônimo em inglês para “paraplegia espástica, atrofia óptica e neuropatia”) no Nordeste do Brasil, uma doença neurodegenerativa genética rara que causa paralisia progressiva.
Conforme relatou a professora Silvana, um estudante do grupo de pesquisa da UEPB, Uirá Souto Melo, durante seu doutorado, em parceria com a professora Lúcia Inês Macedo de Souza, realizou os estudos moleculares que permitiram a descoberta da mutação causativa da doença no gene KCL2, responsável pela produção da cinesina, uma proteína de transporte axonal.
Para desenvolver a pesquisa, a Silva entrevistou cerca de mil famílias com pessoas com deficiência em mais de trinta municípios diferentes. Segundo ela, durante a investigação, “ouvi muitas histórias, percorri centenas de quilômetros sempre acompanhada de minhas duas filhas, Safire e Tais Acácia, e tive o privilégio de fazer muitos amigos pelo caminho”, disse.
Nos 20 anos desde que começou sua pesquisa na cidade de Serrinha dos Pintos, Santos ajudou moradores afetados pela doença a obter um diagnóstico crucial.
LOURDES BARRETO

Aos 80 anos, Lourdes Barreto é referência na luta pelos direitos das profissionais do sexo. Cofundadora da Rede Brasileira de Prostitutas nos anos 1980, ela desafiou preconceitos e trabalhou em políticas de prevenção do HIV em comunidades vulneráveis, como garimpeiros na Amazônia.Sua trajetória é narrada em sua autobiografia lançada em 2023, e seu ativismo segue sendo uma inspiração. “Que nossas histórias sejam valorizadas e não silenciadas”, declarou Lourde.
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