O médico anestesista Walter José Roberte Borges, de 50 anos, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado vegetativo após sofrer um infarto na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, no último dia 20 de maio, enquanto estava na cidade para ajudar vítimas das enchentes que assolam o estado.
O profissional é natural de Linhares, Norte do Espírito Santo. tem dois filhos pequenos, de 8 e 12 anos, é casado e mora em Vila Velha, na Grande Vitória.
Walter tinha viajado ao estado da Região Sul com um grupo de médicos para ajudar os especialistas locais em razão do aumento da demanda por profissionais da saúde provocado pelas inundações.

De acordo com o último balanço divulgado pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul nesse domingo(26), 169 pessoas morreram, 56 estão desaparecidas e mais 806 pessoas estão feridas em decorrência das enchentes que assolam o estado desde o fim de abril.

Mais de 2,3 milhões foram afetadas de alguma maneira, enquanto 581 mil foram desalojadas de suas casas. Ainda permanecem em abrigos temporários 55.813 pessoas. Devido às cheias dos diversos rios, córregos e lagos gaúchos, 77.711 pessoas ficaram ilhadas e precisaram ser resgatadas.

Até o momento, 12.503 animais também foram resgatados.
MÉDICO VOLUNTÁRIO

Na última segunda-feira (20), Walter saiu no meio de uma cirurgia no Hospital Universitário de Pelotas, mas não retornou. Segundo o cunhado do médico, Herik Assis, ao procurá-lo, profissionais o encontraram já desacordado, dentro de um banheiro. Apesar de fumar, ele não tinha histórico de problemas de saúde.
“Ele passou mais de oito minutos sem oxigenação. Agora foram diagnosticadas algumas lesões cerebrais que indicam estado vegetativo. Ele é rodeado de médicos na família, e eles se juntaram para pedir uma ressonância, até para a família entender o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida nele”, afirmou Assis.
Walter está internado na Unidade de Terapia Intensiva em um hospital de Pelotas. A família tenta levá-lo para o Espírito Santo, para ser tratado perto da família. “Ele foi para lá entregar o trabalho dele, e agora a gente só quer trazer ele de volta”, contou o cunhado.
Segundo Assis, a equipe médica gaúcha entendeu que mudá-lo de hospital não traria melhora no quadro de saúde e, portanto, não haveria necessidade de transferência. A família, no entanto, tenta conseguir o translado do anestesista, para que possa continuar a ser cuidado pelos familiares.
RIO GRANDE DO SUL

Apesar das chuvas fortes terem dado uma trégua neste fim de semana, o lago Guaíba segue com nível acima dos 4 metros, um metro acima da cota de inundação que é de 3 metros. O mesmo ocorre com a Lagoa dos Patos, que se encontra com nível acima dos 2 metros, sendo que a cota de inundação é de 1,3 metro.Os serviços meteorológicos ainda preveem novas chuvas no estado, com possível queda de granizo, geadas e ventos fortes.

Em todo o estado, ainda há mais de 113 mil pontos sem energia elétrica. Das 2.340 escolas gaúchas, 588 seguem sem o retorno das aulas.
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